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Fraude na Americanas: celulares entregues estavam apagados

Fraude na Americanas: celulares entregues estavam apagados

O Ministério Público Federal (MPF) informou nesta segunda-feira (31) que celulares e computadores corporativos entregues à Justiça por ex-executivos e ex-funcionários da Americanas estavam com os dados completamente apagados. Em alguns casos, os dispositivos estavam restaurados para o modo de fábrica, o que impossibilita a recuperação das informações originais.

A descoberta foi feita durante a perícia dos equipamentos, como parte das investigações sobre a fraude contábil bilionária da varejista, que levou a empresa à recuperação judicial. A Polícia Federal (PF) e o MPF atuam de forma conjunta no caso e, na segunda-feira , 13 pessoas foram formalmente denunciadas por envolvimento em práticas ilegais que teriam causado um rombo estimado em R$ 25 bilhões.

Os peritos relataram que os dispositivos estavam com configuração inicial, como se tivessem sido usados pela primeira vez. Isso ocorre quando o usuário realiza a restauração dos padrões de fábrica, um procedimento que apaga permanentemente os dados anteriores.

Com isso, a recuperação de provas digitais ficou comprometida, levantando suspeitas de tentativa de ocultação de evidências.

Os 13 investigados foram denunciados por organização criminosa, falsidade ideológica, manipulação de mercado e, no caso de 9 deles, uso de informação privilegiada. Entre os nomes envolvidos estão ex-diretores financeiros e executivos da companhia.

As acusações se baseiam em diversas evidências, como:

  • Trocas de e-mails internos sobre ajustes fraudulentos em resultados;
  • Comparações entre dados reais e números divulgados ao mercado;
  • Colaborações premiadas que explicam como a fraude foi executada;
  • Conversas por WhatsApp entre executivos, detalhando estratégias para ocultar irregularidades;
  • Documentos que mostram como os resultados eram manipulados com base nas expectativas de analistas.

Entenda a fraude contábil da Americanas

A crise começou em janeiro de 2023, quando a Americanas revelou “inconsistências contábeis” de quase R$ 20 bilhões. Poucos dias depois, a empresa pediu recuperação judicial, e o prejuízo total estimado passou de R$ 50 bilhões, sendo R$ 25,2 bilhões atribuídos a fraudes contábeis.

A revelação causou uma forte reação do mercado: as ações da empresa chegaram a cair quase 80% em um único dia, e investidores, pessoas físicas e institucionais, correram para se desfazer dos papéis.

A recuperação judicial foi aprovada apenas em dezembro de 2023, quase um ano após o escândalo vir à tona. O plano envolveu a entrada de R$ 12 bilhões por parte dos acionistas de referência, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira — além da venda de ativos, como o Hortifruti Natural da Terra e a Uni.Co (dona das marcas Imaginarium e Puket).

Com informações do g1



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