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Viver “encaixado” está adoecendo o Brasil

Mais exaustos do que nunca, brasileiros lideram casos de ansiedade e depressão; especialista explica a relação com a busca pela aceitação

Sentir-se esgotado deixou de ser exceção e virou rotina para milhares de brasileiros. Não à toa, o Brasil é apontado como o país mais ansioso do mundo e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), tem a maior prevalência de depressão na América Latina. Mas por que estamos tão exaustos? 

Para o neuropsicólogo Eduardo Shinyashiki, especialista no desenvolvimento de competências socioemocionais, que há décadas guia pessoas e líderes no despertar de sua autêntica essência e propósito, esse cansaço não é só físico, é existencial. E o fato de as pessoas tentarem o tempo todo serem quem não são é um dos principais fatores para isso. “O grande inimigo da nossa energia vital é o esforço silencioso de tentar caber em moldes que não são nossos”, explica.

Eduardo Shinyashiki
Eduardo Shinyashiki


Eduardo chama essa situação de “síndrome do sapato apertado”. É quando aceitamos calçar e atender as expectativas externas, mesmo que não caibam em quem somos de verdade, deixando a nossa originalidade de lado. Para ele, a pandemia evidenciou esse conflito. “Em meio ao isolamento, muitos começaram a questionar quem realmente eram, mas, em vez de ter sido um despertar, grande parte das pessoas manteve a velha rotina de agradar, corresponder, performar, segurar emoções e adiar a própria vida”.

Entre os sinais de que uma pessoa vive com o “sapato apertado” está a sensação persistente de inadequação, dificuldade de dizer não, viver para agradar os outros e até sintomas físicos como insônia, dores inexplicáveis e baixa imunidade. “Diante dessa condição, geralmente trabalhamos mais, dormimos menos, engolimos sentimentos e empurramos a felicidade para um depois que nunca chega. O resultado? Um corpo doente e uma mente exausta”, alerta o neuropsicólogo.

Para quebrar esse ciclo de viver encaixado para agradar ou se sentir pertencido, Eduardo defende que o primeiro passo é se reconectar com quem se é de verdade. “Autenticidade é uma necessidade urgente”, afirma e revela que essa é a temática do seu próximo livro, O Caminho da Originalidade. “Quando nos libertamos de atender às expectativas alheias, voltamos a respirar por inteiro. É nesse espaço que nasce a coragem de dizer ‘não’, de ocupar o próprio lugar e de viver uma vida que faça sentido de dentro para fora”.

O especialista ensina que pequenos gestos diários, como escutar o corpo, dar voz ao que sentimos, pausar para refletir sobre o que realmente queremos e escolher relações mais verdadeiras e saudáveis, já ajudam a aliviar o peso de viver para agradar. “Cada um de nós carrega uma força única, que só floresce quando nos permitimos ser quem somos. É aí que a exaustão dá lugar à leveza e à originalidade em todas as áreas da vida”, finaliza.

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