David Emanuel tem apenas 25 anos, mas já conquistou o olhar atento de milhares de pessoas pelo Brasil e até fora dele. Natural de Arapiraca, no Agreste de Alagoas, o fotógrafo foi destaque recente da Revista NOIZE, uma das principais publicações independentes de música do país, graças ao seu projeto autoral que homenageia a era de ouro da Música Popular Brasileira (MPB) através da fotografia.
Com um celular na mão, um rebatedor de luz improvisado e uma paixão profunda por arte e memória afetiva, David recria capas de discos clássicos da MPB — de nomes como Gal Costa, Maria Bethânia, Cazuza, Rita Lee, Elba Ramalho, Caetano Veloso, entre tantos outros.
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O resultado? Ensaios esteticamente fiéis, criativos e emocionantes, publicados em suas redes sociais (@davidfotografiias), que já somam mais de 17 mil seguidores no Instagram e 40,5 mil no TikTok. Um de seus vídeos, inclusive, ultrapassou 2,3 milhões de visualizações na plataforma.
A ideia surgiu durante a pandemia, de forma despretensiosa, ao fotografar amigas e familiares. O primeiro ensaio recriou a capa do disco Gal Costa (1969), com uma amiga como modelo. Desde então, o projeto cresceu e se consolidou como uma verdadeira celebração à cultura brasileira, ao design gráfico musical e à fotografia feita de forma acessível e sensível.
Além do talento artístico, David também carrega uma forte ligação com suas raízes: ele é feirante aos domingos na tradicional Feira da Fumageira, em Arapiraca, onde vende feijão, coentro e cebola, ofício que aprendeu com a mãe, dona Lúcia, hoje afastada por questões de saúde.
Para David, a feira não é apenas trabalho, mas também fonte constante de inspiração visual e humana.
“A feira é um retrato vivo do povo de Arapiraca. Cada cor, cada cheiro, cada voz cria uma cena única, cheia de autenticidade”, afirma.

David mora na zona rural da Taboquinha e realiza os ensaios tanto em sua casa quanto nas casas das pessoas que aceita fotografar — geralmente encontradas pelas redes sociais. Ele é o responsável por todo o processo criativo: da produção dos figurinos à direção de arte, da fotografia à edição final, usando até seis aplicativos no celular.

Nessa terça-feira, 19 de agosto, em que se celebrou o Dia Mundial da Fotografia, o nome de David Emanuel ganhou ainda mais destaque como um símbolo de inovação, resistência cultural e valorização da arte acessível.
“Fazer arte com pouco” é o lema que define não só sua trajetória, mas a potência de sua obra.

Mesmo com o reconhecimento nacional em andamento, David sonha alto: quer circular com sua arte por diversos estados brasileiros e ampliar o alcance de seu trabalho.
“Já fui contratado para fotografar em Aracaju, mas quero muito viajar com meus projetos. Esse é meu maior sonho”, diz.
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