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Israel captura castelo de Beaufort, no sul do Líbano

Israel captura castelo de Beaufort, no sul do Líbano

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Tropas israelenses capturaram o castelo de Beaufort, de 900 anos, no sul do Líbano, afirmou o Exército israelense neste domingo (31), em um avanço significativo contra o Hezbollah, apoiado pelo Irã, apesar do cessar-fogo anunciado há mais de seis semanas.

A ação, que tomou também o cume rochoso do castelo, próximo à fronteira dos países, ocorreu após um dos dias mais intensos de disparos do Hezbollah em direção ao norte de Israel desde o cessar-fogo de abril, o que provocou o fechamento de escolas e restrições.

A operação, segundo o Exército, teve como foco estabelecer o controle do cume de Beaufort e da área de Wadi al-Saluki, além de enfraquecer o Hezbollah e sua infraestrutura, estabelecida sob orientação iraniana.

O primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu definiu a captura de Beaufort como uma “mudança drástica” na ofensiva do Líbano.

Um soldado israelense foi morto, informou o Exército. Não houve comentários imediatos do Líbano ou do Hezbollah.

A captura do castelo medieval e do seu cume amplia a presença de Israel no Líbano, enquanto a frente militar permanece ativa, mesmo com um cessar-fogo paralelo em vigor na guerra mais ampla contra o Irã.

Beaufort tem valor simbólico e estratégico no conflito. Por ser o ponto mais elevado na região permite a observação de grande parte do sul do Líbano e do norte de Israel, de onde ataques foram lançados contra áreas residenciais israelenses.

O castelo já foi ocupado por 18 anos por Israel, de 1982 a 2000, e se tornou um marco da invasão no Líbano à época. Naquele momento, a ofensiva era contra os guerrilheiros da OLP (Organização para a Libertação da Palestina).

Em junho de 1982, Beaufort foi tomado por uma unidade de elite da Brigada Golani depois de um combate intenso.

O passado do castelo, construído no século 12 por cruzados, também é marcado por conflitos. Beaufort trocou de mão várias vezes durante as Cruzadas, justamente por sua posição estratégica.

Com o passar dos séculos e diferentes ocupações, o local ganhou uma série de túneis, galerias subterrâneas e trincheiras, usados para proteção e ataques.
Pela importância histórica, o Líbano entregou uma candidatura de Beaufort e outros castelos da região à Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2025.

Neste domingo, o Exército israelense alertou os civis libaneses que vivem ao sul do rio Zahrani para que deixem a região, avisando que as operações contra o Hezbollah serão intensificadas no local.

“Moradores do sul do Líbano, vocês devem se deslocar imediatamente para o norte do Zahrani”, publicou nas redes sociais o porta-voz em árabe da corporação, Avichay Adraee.

Um ataque israelense perto de um hospital em Tiro, também no sul do Líbano, feriu 13 funcionários neste domingo, disse o Ministério da Saúde libanês. O ataque aéreo nas proximidades do hospital Hiram causou também danos significativos ao local, afirmou o governo em comunicado.

O Hezbollah entrou na guerra dos EUA e Israel contra o Irã disparando foguetes e drones contra Israel no dia 2 de março, dias após o início do conflito com o Irã. Israel passou a tentar afastar o grupo apoiado pelo Irã de sua fronteira norte.

O Hezbollah “realizou numerosos ataques” a partir do cume de Beaufort, disse o Exército, acrescentando que suas tropas estavam operando contra a infraestrutura de lançamento na área, de onde “centenas de projéteis foram disparados contra civis israelenses e soldados das IDF [Forças de Defesa de Israel]”.

Tropas israelenses também estavam operando perto de Nabatieh, importante reduto do Hezbollah no sul do Líbano, informou o Exército.

Após a tomada do castelo medieval de Beaufort, a França solicitou neste domingo uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, disse o ministro das Relações Exteriores francês.

“Embora reconheçamos o direito de Israel, como o de todos os países, à autodefesa (…), nada pode justificar a continuação das operações militares israelenses no Líbano e sua ocupação cada vez mais profunda do território libanês”, disse Jean-Noel Barrot.

Notícias ao Minuto

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