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Trump afirma que Hormuz não terá pedágio, e Irã fala em cobrança de taxas

Trump afirma que Hormuz não terá pedágio, e Irã fala em cobrança de taxas

ÉVIAN-LES-BAINS, FRANÇA (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (15) que a passagem pelo estreito de Hormuz já está ocorrendo em corredores e que será gratuita para todos os navios.

“Tivemos uma pequena discussão sobre isso. É ‘toll-free'”, disse o americano, usando o termo em inglês para passagem sem pedágio. Ainda segundo ele, a reabertura completa da passagem marítima depende da retirada das minas iranianas.

Mais cedo, no entanto, o Ministério das Relações Exteriores do Irã havia afirmado que o acordo com os EUA prevê que Teerã cobrará taxas de serviços marítimos dos navios que transitarem pela via navegável.

“Sempre afirmamos que não pretendemos cobrar pedágios de trânsito, mas serão cobradas taxas por serviços de navegação, proteção ambiental, seguro de navios e outros serviços necessários”, afirmou o porta-voz do ministério. A pasta também disse que o Irã ainda nutre uma “profunda desconfiança” em relação aos EUA, apesar da promessa de acordo, devido ao que chamou de um “longo histórico de atos ilícitos por parte de líderes americanos”.

Após encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, durante a reunião do G7, Trump disse que provavelmente não estará em Genebra na sexta-feira (19) para a assinatura formal do acordo com o Irã. “J. D. vai lá especificamente por vocês”, disse Trump, referindo-se ao vice-presidente J. D. Vance, que já estava previsto para representar Washington na cerimônia. “Eu provavelmente já terei partido.”

Ainda nesta segunda, o próprio Vance havia expressado o desejo americano em relação a Hormuz. “Nossa expectativa é que o estreito seja aberto sem cobrança de pedágio a longo prazo”, afirmou à CNBC. “É esse tipo de questão que vamos resolver nessas negociações técnicas.”

Numa declaração conjunta divulgada mais cedo, líderes de França, Reino Unido, Alemanha, Japão e Itália exigiam “reabertura imediata e incondicional” do estreito. A União Europeia saudou o acordo entre Washington e Teerã, mas deixou claro que o bloco exige resultados concretos.

“A prioridade agora é a implementação”, disse, em declaração à imprensa em Évian, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. “O estreito de Hormuz precisa reabrir e a liberdade de navegação deve ser restaurada -sem pedágios e sem restrições.”

O otimismo de Trump, porém, contrasta com declarações contraditórias de outras autoridades americanas.

Segundo o jornal americano The New York Times, enquanto o presidente afirmou que o estreito estaria completamente aberto até sexta-feira, um alto funcionário do governo disse a jornalistas que o tráfego marítimo normal só deve ser retomado em duas semanas. Em seguida, outro funcionário americano, na mesma coletiva, voltou a afirmar que o estreito estaria totalmente aberto na sexta.

Sobre uma possível missão naval de apoio, Trump disse não acreditar que será necessária, mas não descartou a presença de “um navio ou dois” de países aliados como medida preventiva -e elogiou a França diretamente.

Mais cedo, França e Reino Unido já haviam anunciado disposição para contribuir com operação defensiva na região. Segundo Macron, Paris e Londres estão prontas para liderar uma missão militar conjunta de escolta e remoção de minas no estreito, tão logo o acordo de paz seja confirmado.

Segundo ele, aeronaves de vigilância e uma fragata poderiam ser enviadas ainda nesta terça-feira (16). “Os franceses podem ter orgulho, porque seus militares vão poder, nas próximas horas, participar desse esforço de estabilização”, disse o presidente francês. A missão envolve também holandeses e italianos já presentes na região. Mas é a parceria franco-britânica que lidera a operação.

O estreito, bloqueado há mais de cem dias, é passagem obrigatória de cerca de um quarto de toda a produção mundial de petróleo e gás. O fechamento levou o barril do Brent a disparar para mais de US$ 120 no pico da crise.

Diante da oferta de Macron, Trump afirmou que os EUA não precisam de “muita ajuda” para reabrir o estreito. “Mas não acho que seja uma má ideia ter um ou dois navios de alguns países. O seu país seria muito adequado para isso, porque nunca se sabe”, disse ao francês.

“Como disse o presidente, talvez não seja desejado, talvez não seja necessário, mas, em qualquer caso, é uma medida que reflete nossa vontade de ajudar”, respondeu Macron.

O presidente americano prometeu ainda divulgar o texto do memorando de entendimento “em breve”, provavelmente após a sexta. Fez questão de distingui-lo do acordo nuclear firmado sob Barack Obama: “É um documento muito poderoso, não como o documento de Obama, que era terrível.”

Sobre sanções ao Irã, descartou alívio imediato: “Eles têm que fazer a parte deles.”

Trump também sinalizou disposição para pressionar por um cessar-fogo no Líbano. “Parece que nunca acaba. E não deveria ser difícil”, disse.

No início da fala, Trump elogiou a França pela vitória de um lutador francês no boxe peso-pesado na noite anterior e chamou o evento de MMA que organizou na Casa Branca no domingo -seu aniversário de 80 anos- de “a noite mais importante na história da Casa Branca”. O evento foi o motivo pelo qual a abertura da cúpula foi adiada por algumas horas.

Notícias ao Minuto

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