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Belo Monte abriga caverna rara que pode virar área de conservação » Alagoas Notícia Boa

Belo Monte abriga caverna rara que pode virar área de conservação » Alagoas Notícia Boa

A identificação de uma caverna com mais de 21 mil morcegos insetívoros, em Belo Monte, no Sertão de Alagoas, pode transformar o município em referência nacional na conservação da biodiversidade. A descoberta, considerada inédita no estado, já mobiliza pesquisadores e autoridades em torno da criação da primeira unidade de conservação municipal voltada à proteção desses animais.

O achado faz parte de uma expedição realizada pelo Plano de Ação Nacional (PAN) Cavernas do Brasil, coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav), em parceria com a Bat Conservation International, por meio do Programa Brasil. Durante as pesquisas, outra grande caverna também foi identificada no município de Paripiranga, na Bahia.

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O diferencial da caverna alagoana é que ela foi classificada como uma hot cave, um tipo extremamente raro de cavidade natural. Das mais de 30 mil cavernas catalogadas no Brasil, menos de 20 possuem essa característica, marcada por uma única entrada relativamente pequena, alta concentração de morcegos, temperaturas constantes entre 28°C e 40°C e umidade superior a 90% durante todo o ano.

Segundo a bióloga Jennifer Barros, coordenadora do Programa Brasil da Bat Conservation International, a descoberta amplia o conhecimento sobre a distribuição dos morcegos no Nordeste.

“Já existiam registros de grandes colônias nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Sergipe. Com os novos registros, foi possível ampliar essa distribuição para a Bahia e fortalecer a conexão entre Sergipe e Pernambuco com a contribuição de Alagoas”, explica.

Na Bahia, a expedição identificou outra grande colônia de morcegos na Toca dos Morcegos, localizada no município de Paripiranga. Além de ampliar o mapa das chamadas bat caves no Nordeste, os estudos ajudaram a desmistificar uma antiga preocupação dos moradores da região.

Segundo o espeleólogo Fernando Silva, do Grupo Mundo Subterrâneo de Espeleologia, as pesquisas confirmaram que não há espécies hematófagas na caverna, tranquilizando os criadores de gado locais.

“Quando a comunidade recebe conhecimento técnico, torna-se a principal guardiã do patrimônio natural”, destacou.

Aliados da natureza e da agricultura

Muito além dos mitos que cercam esses animais, os morcegos desempenham um papel fundamental para o equilíbrio ambiental. A colônia encontrada em Belo Monte é formada por morcegos insetívoros, responsáveis pelo controle natural de pragas ao consumir grandes quantidades de insetos.

Para o professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e articulador do PAN Cavernas do Brasil, Enrico Bernard, proteger esses abrigos também beneficia diretamente a população.

“Essas populações consomem centenas de toneladas de insetos por ano, reduzindo naturalmente pragas agrícolas e até a necessidade do uso de defensivos, gerando economia para os produtores rurais”, destaca.

Primeira unidade de conservação voltada aos morcegos

O presidente do Instituto SOS Caatinga, Marcos Antônio Araújo, destaca que a caverna de Belo Monte é única em Alagoas com esse potencial ecológico.

“Trata-se da única caverna conhecida em Alagoas com esse potencial, abrigando mais de 21 mil morcegos insetívoros. Poucas pessoas conhecem os benefícios que esses animais trazem para o ecossistema, e é fundamental levar informação qualificada sobre a importância desses mamíferos para o equilíbrio ambiental”, afirma.

Diante da relevância ambiental da descoberta, pesquisadores já iniciaram tratativas com a Prefeitura de Belo Monte para criar a primeira unidade de conservação municipal do estado destinada especificamente à proteção de morcegos.

Para o prefeito Dalmo Augusto de Almeida Júnior, a descoberta representa um novo patrimônio ambiental para o município.

“A caverna nos coloca como guardiões de um ecossistema vital. Os morcegos são aliados da agricultura, atuam no controle de pragas e no equilíbrio da fauna. Por isso, nosso licenciamento ambiental passa a ser mais técnico e rigoroso, garantindo que o desenvolvimento econômico respeite os limites da natureza e proteja esse patrimônio espeleológico de máxima relevância”, ressalta.

Descoberta fortalece a conservação

Além do valor científico, os pesquisadores avaliam que o conhecimento sobre essas cavernas poderá contribuir para o aperfeiçoamento de políticas públicas relacionadas ao licenciamento ambiental, à conservação de espécies ameaçadas e à criação de novas áreas protegidas.

A expectativa é que a descoberta em Belo Monte impulsione novas pesquisas sobre a biodiversidade subterrânea e consolide Alagoas como um importante território para a conservação de um dos ecossistemas mais raros e singulares do Brasil.

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Notícia Boa – Alagoas

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