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IA reduz vagas para jovens em início de carreira

IA reduz vagas para jovens em início de carreira

Estudos divulgados no primeiro semestre deste ano apontam que a inteligência artificial (IA) já começa a impactar a empregabilidade dos jovens brasileiros em início de carreira. Profissionais com pouca experiência estão entre os mais afetados pela automação, especialmente em funções administrativas, de atendimento, produção de conteúdo e apoio operacional. O cenário acende um alerta para empresas, instituições de ensino e profissionais de recursos humanos sobre a necessidade de adaptação da formação profissional às novas exigências do mercado.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) verificou que os jovens de 18 a 29 anos são mais impactados com a chegada da tecnologia e têm quase 5% menos chances de conseguir um emprego do que antes da IA.

Os dados também indicam reflexos na renda desses jovens trabalhadores. Uma reportagem da Folha de S.Paulo destaca que a inteligência artificial já provoca redução na remuneração média de jovens em algumas ocupações, ao mesmo tempo em que aumenta a procura por profissionais capazes de operar, supervisionar e integrar essas tecnologias aos processos das empresas.

Mudança no perfil das contratações

Especialistas afirmam que a IA não elimina apenas postos de trabalho, mas altera o perfil das vagas disponíveis. Empresas têm buscado profissionais que, além do conhecimento técnico da área de atuação, possuam habilidades ligadas ao uso de ferramentas digitais, análise de dados, pensamento crítico e resolução de problemas.

Nesse contexto, tarefas antes destinadas a profissionais iniciantes passaram a ser executadas por sistemas automatizados, reduzindo uma etapa tradicional de aprendizado dentro das organizações.

A consequência é um desafio para quem ingressa agora no mercado. Sem as funções operacionais que historicamente serviam como porta de entrada, jovens precisam chegar às empresas com competências mais avançadas do que as exigidas há poucos anos.

Formação profissional também precisa mudar

O avanço da inteligência artificial também pressiona instituições de ensino e programas de qualificação profissional. Especialistas defendem que universidades, escolas técnicas e cursos profissionalizantes passem a incorporar o uso da IA no processo de aprendizagem, preparando os estudantes para trabalhar em conjunto com essas tecnologias.

A recomendação é ampliar o desenvolvimento das chamadas habilidades socioemocionais como criatividade, comunicação, liderança e capacidade de adaptação, consideradas menos suscetíveis à substituição por sistemas automatizados.

Ao mesmo tempo, conhecimentos sobre inteligência artificial, programação, análise de dados e automação passam a ganhar espaço entre as competências mais valorizadas pelo mercado.

Empresas enfrentam novo desafio

Para os departamentos de Recursos Humanos, o cenário também representa uma mudança na gestão de talentos. Além de revisar critérios de recrutamento, muitas empresas têm investido em programas de requalificação (reskilling) e aperfeiçoamento (upskilling) para preparar colaboradores para novas funções.

A adoção da IA tende a aumentar a produtividade, mas especialistas alertam que a tecnologia não elimina a necessidade de profissionais qualificados. Em vez disso, transforma as atividades desempenhadas e exige maior capacidade de adaptação dos trabalhadores.

Para escritórios de contabilidade, consultorias e áreas de RH, acompanhar essas mudanças será fundamental para orientar empresas sobre contratação, desenvolvimento de equipes e planejamento da força de trabalho diante da crescente digitalização do mercado.

Com informações do G1 e Folha de São Paulo



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