Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Senado dos EUA confirma ex-advogado pessoal de Trump como secretário de Justiça

Trump deve enviar representantes a Brasília para investigar sistema eleitoral brasileiro

MANOELLA SMITH
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Senado dos Estados Unidos confirmou neste sábado (8) Todd Blanche, ex-advogado pessoal de Donald Trump, como secretário de Justiça do país. A votação, aprovada por margem apertada de 50 votos a 49, encerrou uma das disputas mais controversas do segundo mandato do republicano. Preocupações bipartidárias sobre a falta de independência de Blanche em relação ao presidente quase levaram a indicação a um fracasso no Congresso.

Blanche já ocupava interinamente o cargo desde a saída de Pam Bondi. Ela foi demitida no início de abril em meio à crise provocada pela condução do caso Jeffrey Epstein. Antes de ingressar no alto escalão do governo, Blanche representou Trump como advogado pessoal em vários processos criminais, incluindo no caso envolvendo a atriz pornô Stormy Daniels.

No plenário do Senado, atualmente controlado pelo Partido Republicano por uma margem estreita, a confirmação exigiu intensas negociações de bastidores. As republicanas Susan Collins (do Maine) e Lisa Murkowski (do Alasca), conhecidas por suas posturas mais independentes, romperam com o partido, juntaram-se aos democratas e votaram contra a indicação.

O senador republicano Bill Cassidy, da Louisiana, acabou se tornando o voto decisivo para salvar a nomeação, depois de anunciar na sexta-feira (7) que, apesar de ressalvas, considerava Blanche a melhor opção que Trump estaria disposto a apresentar.

A resistência da própria bancada republicana se concentrava em duas medidas adotadas por ele durante seu período como interino à frente do Departamento de Justiça. A principal delas foi a tentativa de criação de um fundo de US$ 1,8 bilhão focado em combater o que o governo tem chamado de “aparelhamento político” da Justiça. O objetivo oficial era destinar recursos públicos para indenizar cidadãos que afirmassem ter sido alvo de perseguição do governo federal sob administrações anteriores.

O programa, no entanto, foi duramente criticado por opositores e especialistas jurídicos como uma espécie de fundo de recompensa camuflado para aliados de Trump. A medida abria brecha para beneficiar financeiramente indivíduos processados e condenados por envolvimento na invasão do Capitólio.

A segunda tratava-se de um decreto assinado em maio, relacionado a um acordo entre o Departamento de Justiça e Trump, que, segundo a interpretação de senadores de ambos os partidos, poderia ser utilizado como uma proteção ampla contra futuras auditorias fiscais ou investigações financeiras envolvendo não apenas o presidente, mas também pessoas ligadas a ele, incluindo familiares e executivos de suas empresas.

Para destravar sua indicação, Blanche recuou. Às vésperas da votação, ele publicou uma nova ordem administrativa revogando oficialmente o fundo bilionário. Além disso, restringiu severamente o alcance do acordo de imunidade tributária, acrescentando cláusulas que esclarecem que a medida produz efeitos apenas sobre as partes envolvidas na ação judicial original e unicamente em relação a reivindicações passadas.

As concessões permitiram que Blanche superasse a resistência de parte da bancada republicana e garantisse sua confirmação, ainda que por uma margem apertada.

Já os democratas se opuseram à nomeação desde o início e acusaram Trump de transformar o Departamento de Justiça em uma arma política. “O secretário de Justiça deveria ser o advogado do povo”, disse na terça-feira o senador democrata Dick Durbin, do Comitê Judiciário do Senado. “Blanche continua atuando como advogado pessoal do presidente, tratando o Departamento de Justiça como um escritório de advocacia que presta serviços a um único cliente: o presidente.”

Após a confirmação, o novo secretário de Justiça afirmou, em uma publicação nas redes sociais, estar profundamente honrad.

Historicamente, o Departamento de Justiça desempenhou suas funções com relativa independência em relação à Casa Branca. No segundo mandato de Trump, porém, essa relação tem sido alvo de controvérsia, em meio aos esforços do presidente para ampliar seu controle sobre agências e instituições que tradicionalmente operavam com maior autonomia.

O departamento buscou processar adversários que Trump considera seus inimigos, provocou a saída em massa de promotores de carreira e declarou que atuava sob a direção do presidente.

Juízes federais criticaram em várias ocasiões promotores por apresentarem o que consideraram casos frágeis, e grandes júris se recusaram a apresentar acusações em algumas situações.

Nomeados políticos também removeram funcionários de carreira de alto escalão considerados resistentes à agenda do governo, reduzindo significativamente o quadro de funcionários da divisão de direitos civis, do escritório de ética e de outras áreas.

Blanche afirmou que ajudou a levar a criminalidade a níveis historicamente baixos e a corrigir o que considera injustiças cometidas pelo governo de Joe Biden contra Trump e seus aliados conservadores. Os apoiadores de Blanche dizem que ele está comprometido com a missão central do Departamento de Justiça de manter o país seguro.

Notícias ao Minuto

Leia Também

In Loco Imóveis
Dra Luma Amaral
Moraes rejeita pedido de Bolsonaro para receber visita de filhos no Dia dos Pais
Charles Audrei Batista Pires
Vale-alimentação e refeição podem ser descontados do empregado?
ChatGPT gratuito deixou de ter limites para conversas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *