Com o avanço da inteligência artificial, e ataques cada vez mais sofisticados, personalizados e difíceis de identificar, empresas e fraudadores têm investido em recursos de IA para ampliar, respectivamente, a capacidade de proteção e de ataque.
Para a Veridas, a evolução das técnicas utilizadas pelos golpistas exige uma mudança na forma como as instituições estruturam suas estratégias de segurança. Em vez de depender exclusivamente de barreiras visíveis ao usuário, a tendência é combinar diferentes mecanismos de proteção que atuem continuamente ao longo da jornada digital.
Um dos principais conceitos para enfrentar o problema é a segurança invisível: uma arquitetura capaz de analisar continuamente sinais de risco sem transformar cada etapa da jornada digital em uma nova barreira para o usuário.
A abordagem combina mecanismos de identificação e verificação com análise de comportamento, permitindo que as organizações avaliem o nível de risco de uma interação e acionem diferentes camadas de proteção de acordo com o contexto. Na prática, isso significa reservar etapas adicionais de autenticação para situações que apresentem sinais de risco, enquanto usuários legítimos conseguem concluir suas jornadas com o mínimo de interrupções possível.
A biometria tem papel importante nesse modelo. Com tecnologias mais rápidas e precisas, a verificação biométrica pode ser utilizada como uma camada adicional de segurança quando necessário, sem necessariamente acrescentar fricção a todas as interações.
“A IA está mudando a escala e a sofisticação das fraudes, mas também oferece às empresas novas possibilidades para identificar comportamentos suspeitos e proteger seus clientes. A próxima fronteira será encontrar o equilíbrio entre segurança cada vez mais inteligente e uma experiência digital que continue simples e fluida”, afirma Anders Hartington, diretor da Veridas para o Brasil e o Cone Sul.
Segundo o executivo, a evolução da inteligência artificial também começa a criar um novo desafio para os sistemas de identidade: a autenticação de agentes capazes de realizar ações de forma autônoma. À medida que agentes de IA passam a interagir com empresas, consumidores e outros sistemas em nome de seus usuários, será necessário determinar não apenas quem é o usuário, mas também qual agente está autorizado a agir em seu nome e qual identidade está por trás daquela interação.
O cenário foi um dos principais temas do Identity & Business Day São Paulo, encontro promovido pela Veridas no dia 19 de agosto, que reuniu mais de 50 executivos de bancos, fintechs e especialistas em identidade digital e prevenção a fraudes na capital paulista.
Durante o evento, Jefferson Honorato, diretor de transformação do modelo de atendimento remoto e digital, operações e negócios do Bradesco, defendeu que o onboarding não é mais apenas uma etapa, mas sim o “tapete vermelho” do relacionamento com o cliente.
Renato Pérez, Cybersecurity & Advisory do 4AXON, por sua vez, comentou sobre a lentidão corporativa. “Em cibersegurança, a velocidade de reação é tudo”, enfatizou, instando as empresas a adotarem laboratórios de simulação e dinamismo constante. Pérez também acendeu o alerta sobre um grande ponto cego: as PMEs, que representam 10% do PIB, sofrem com processos de verificação fracos que os fraudadores exploram massivamente para lavar dinheiro por meio de transferências PIX.
