Alagoas ganhou uma importante aliada para garantir a sustentabilidade dos recursos naturais e florestais do estado: a Rede Craibeira. A iniciativa é da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em parceria com órgãos ambientais e agrários, que envolve comunidades rurais e tradicionais na geração de renda no campo.
A Rede de Sementes e Viveiros Florestais de Alagoas (Rede Craibeira) vai articular todos esses atores que trabalham com restauração florestal ou na cadeia produtiva da restauração. A ideia para a criação da rede surgiu a partir de discussões sobre a necessidade do fornecimento de sementes e mudas.
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As precursoras foram as professoras Marília Grugiki, engenheira florestal do Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (Ceca); e Flávia Barros, docente do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) e coordenadora do Centro de Referência em Recuperação Áreas de Degradadas (Crad), localizado na Ufal, no Campus A.C. Simões, em Maceió.
O lançamento da rede aconteceu em setembro de 2024, na sede do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), um dos parceiros do projeto. A rede pretende garantir a sustentabilidade dos recursos naturais e florestais do estado, resultado do trabalho da Ufal que une ensino, pesquisa e extensão.
A parceria para tornar concreta a rede envolve o IMA e outros órgãos ambientais ou agrários responsáveis por demandas sobre a temática: a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), o Ministério de Desenvolvimento Agrário e de Agricultura Familiar (MDA), o Ibama e a Embrapa, dentre outros.
Biojoias
São vários os atores na rede de sementes e viveiros. Os coletores de sementes serão integrantes de comunidades rurais e tradicionais. A rede realizará uma intensa capacitação para que os coletores consigam fazer, de forma técnica e satisfatória, a coleta das sementes que serão armazenadas no Crad para análise.
Existem leis e portarias que exigem a realização de análises das sementes para determinar parâmetros de viabilidade, germinação e se são sementes sadias. Após os estudos, pesquisas e testes, os lotes de sementes serão direcionados para a comercialização, abrangendo diferentes fins, como produção de mudas e até mesmo biojoias.
A Ufal e o IMA articulam uma instrução normativa para que 50% das mudas adquiridas nos processos de compensação ambiental seja dos viveiros que fazem parte da rede –já são seis iniciais–, mas a ideia é ampliar. Em Alagoas, são poucos os viveiros comerciais regularizados e que vendem mudas nativas, tanto da Mata Atlântica quanto da Caatinga.
Necessidade
Existem várias redes espalhadas pelo Brasil, mas na região Nordeste são apenas três: duas no sul da Bahia e uma em Petrolina-PE.
“O que demonstra a necessidade de articular a rede de sementes e viveiros florestais aqui em Alagoas, onde existe uma quantidade elevada de áreas a serem restauradas e muitas demandas na arborização urbana. Inclusive, Maceió está elaborando o Plano Municipal de Arborização Urbana, o que demanda, também, mudas de espécies nativas de qualidade”, comentou a professora Marília Grugiki.
A rede em Alagoas terá sementes coletadas em diferentes regiões do estado, da Mata Atlântica e da Caatinga.

“Isso vai aumentar a biodiversidade genética das espécies, o que é excelente”, comemorou a docente.
De acordo com ela, para fazer restauração, é preciso ter sementes e mudas de qualidade, elevada diversidade genética e em grande escala. O estado tem essa lacuna, observa a docente.
A professora releva ainda que vários colegas que trabalham com restauração em empresas do setor privado ou por meio de consultoria ambiental têm dificuldades para encontrar sementes e mudas em Alagoas.
Comunidades tradicionais
O principal parceiro na rede são as comunidades tradicionais indígenas, quilombolas e assentados da reforma agrária.
“A gente sabe que essas populações têm uma forma de se relacionar com a floresta de uma maneira muito diferente dos centros urbanos. Então, o nosso principal elemento são essas comunidades que fazem a coleta e a produção de mudas. Até porque essas áreas de fragmentos florestais estão inseridas dentro dessas comunidades”, observou Grugiki.
As comunidades inseridas na rede poderão fazer da coleta de sementes uma fonte de renda. Há exemplos de coleta de sementes, por meio das redes, que têm garantido a sustentabilidade econômica de diversas comunidades. Além disso, há os benefícios sociais, entre eles o de permanência das pessoas no campo nas comunidades.
“Existe um movimento de saída de jovens das comunidades rurais e tradicionais por falta de oportunidade, e a rede vem também com o propósito de impactar social e culturalmente a vida dessas comunidades, dando oportunidades diversas para que os jovens permaneçam nesses locais”, destacou.
Com texto de Fabiana Barros / Ascom Ufal