Um dos momentos mais emocionantes da jornada dos quatro astronautas da Artemis II à Lua não foi científico, mas extremamente humano: uma homenagem, feita no espaço, à mulher do comandante da missão, Reid Wiseman. Carroll Wiseman morreu de câncer em 2020, aos 46 anos, depois de cinco anos de luta contra a doença. Os astronautas batizaram uma cratera na Lua com o nome dela, o que levou alguns dos astronautas às lágrimas.
Carroll Wiseman era enfermeira pediátrica que trabalhava em uma UTI neonatal e teve duas filhas com Wiseman, com quem era casada havia 17 anos: Ellie, que atualmente tem 20 anos, e Katherine, de 17. Quando Carroll recebeu o diagnóstico de câncer, Wiseman quis abrir mão do sonho de se tornar astronauta para se dedicar à mulher. Mas foi Carroll quem o convenceu a continuar o seu treinamento na Agência Espacial Americana (Nasa).
‘Elas são a minha vida’
“Quando ela começou a ficar muito doente, eu queria largar o treinamento e me mudar para ficarmos perto da família dela”, contou Wiseman em entrevista à emissora de TV CBS News. “E ela falou: ‘não, aqui é o seu trabalho; esse trabalho que você ama tanto. E é aqui que nossas filhas estão crescendo. Vamos ficar aqui’.”
Desde a morte da mulher, Wiseman vem criando as filhas sozinho. Segundo ele, foi o período mais desafiador e também o mais gratificante de sua vida. “Elas são a minha vida”, escreveu ele em sua biografia para o site da Nasa.
Wiseman acabou sendo designado comandante da missão Artemis II em 2023. Mas sua reação imediata não foi de alegria. Ele ficou preocupado com a reação das filhas. Mas logo ficou claro que não havia motivo de preocupação. Ellie, a filha mais velha, respondeu ao anúncio do pai, fazendo cupcakes em formato de lua para toda a família.
“Essas duas meninas, eu achei que elas iam me segurar, mas elas me empurraram”, contou Wiseman em entrevista ao podcast da Nasa Universo Curioso. “Como pai, é exatamente assim que você quer se sentir.”
Ele fez questão de ser muito honesto com as meninas sobre os riscos da missão. “Fui dar um passeio com elas e falei: aqui está o meu testamento, aqui estão os documentos do seguro; se alguma coisa acontecer, é parte da vida”, ele contou em uma entrevista coletiva na Nasa, em janeiro.
Homenagem e minuto de silêncio
Quando candidatos a astronauta estão em treinamento na Nasa, suas famílias integram uma rede de apoio que reúne parentes dos astronautas. Isso acontece muitos anos antes de os astronautas serem indicados para suas primeiras missões. Por isso, fortes laços de amizade acabam se formando entre as famílias.
Na última segunda-feira, 6, quando a Órion se aproximava da Lua, o especialista Jeremy Hansen chamou o controle da missão, em Houston, pedindo autorização para nomear uma cratera lunar com o nome de Carroll. A cratera fica na fronteira entre a face visível e a face oculta da Lua.
“É um ponto brilhante na superfície da Lua”, afirmou Hansen, com a voz embargada. “E nós gostaríamos de nomeá-la Carroll.”
“Alguns anos atrás, nós começamos essa jornada junto com a nossa família estendida de astronautas”, continuou Hansen. “E nós perdemos um membro querido dessa família.”
Hansen e Wisemann, que também já estava chorando, se abraçaram, emocionados. Na Terra, os controladores de voo observaram um minuto de silêncio.
‘Um pai orgulhoso’
Poucos dias antes do lançamento da missão Artemis II, Wiseman postou uma selfie na rede social X com as duas filhas em frente ao foguete da Nasa, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
“Eu amo essas duas senhoritas”, escreveu na legenda. “E quem embarca nesse foguete é um pai muito orgulhoso.”
Retorno à Terra
A primeira missão tripulada à Lua depois de 50 anos retorna à Terra nesta sexta-feira, 10. A cápsula da Órion vai cair no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, na Califórnia (EUA), por volta das 21h (horário de Brasília). Os astronautas serão resgatados por uma equipe da Marinha americana.
