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Empreender é assumir o risco de não ter para onde voltar – e é isso que define quem realmente empreende

Para Max Katsuragawa Neumann, empreender não é gestão do previsível, mas um compromisso integral com a criação sob incerteza

Empreender raramente é sobre conforto. Na essência, trata-se de assumir o risco de não ter para onde voltar. Ainda assim, o termo segue sendo confundido com abrir uma empresa ou administrar um negócio, uma simplificação comum, porém conceitualmente imprecisa.

Empreender é identificar uma oportunidade onde outros veem ruído, mobilizar recursos escassos e transformá-la em realidade, assumindo riscos e responsabilidades. É um ato de criação, não apenas de gestão. Essa distinção é central para compreender por que nem todo empresário é, de fato, um empreendedor.

Muitos empresários operam dentro do previsível: protegem o que já existe, buscam estabilidade, controlam riscos e otimizam resultados. Essa função é legítima e necessária para a economia. O equívoco surge quando se coloca esse perfil no mesmo patamar daquele que cria sob incerteza.

Para Max a diferença está em um fator inegociável: o apetite pelo risco.

Não se trata de imprudência. Trata-se de compromisso total. O empreendedor não entra no jogo com um pé dentro e outro fora. Ele entra com os dois pés no mesmo barco. Aposta no projeto, na ideia, na visão, e aposta alto. Não apenas capital financeiro, mas tempo, energia, foco, reputação e anos de vida.

Enquanto muitos aguardam garantias antes de agir, o empreendedor age sem garantias. Não por ignorar a realidade, mas por compreender que a validação só vem depois da execução. A convicção precede a prova. Desistir não é uma opção enquanto ainda existir margem para ajuste, aprendizado e avanço.

Há, nesse processo, uma convicção que independe de validação externa imediata. O empreendedor segue quando os números ainda não confirmam, quando o mercado duvida e quando o entorno questiona. Ele não romantiza o risco; aceita-o como parte estrutural do caminho.

A lógica se aproxima do antigo princípio de “queimar os barcos antes da batalha”. Ao eliminar a rota de fuga, resta apenas avançar. Quando o empreendedor entra no jogo, não há plano B confortável. Há execução, correção de rota, insistência e responsabilidade integral pelo resultado.

É justamente isso que separa o empreendedor da maioria das pessoas que desejam empreender. Muitos querem o resultado, poucos aceitam o preço. Buscam sucesso sem desgaste, reconhecimento sem exposição ao erro, vitória com atalhos. O empreendedor compreende que não há terceira via.

Ou se faz o que precisa ser feito, ou o resultado não vem. Não há glamour nisso. Há trabalho, risco e persistência.

Por essa razão, empreender não é uma escolha racional para todos. É uma decisão de perfil, de postura diante da incerteza e do esforço contínuo. No fim, o empreendedor não se define pelo negócio que possui, mas pelo quanto está disposto a colocar em jogo por aquilo em que acredita.

Max Katsuragawa Neumann é empresário e empreendedor, representante do Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP) e autor do livro Superando Desafios – Empreendendo no Brasil. Atua no debate sobre empreendedorismo, gestão e liderança, com foco em risco, execução e desenvolvimento empresarial no contexto brasileiro.

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