A atriz alagoana Marina Sales conquistou, nesse domingo (22), o prêmio de Melhor Atuação durante a 1ª Mostra Filé pela atuação no curta-metragem “Olhar de Espírito”. Publicitária e social media, ela também é atriz, bailarina e o que mais couber em sua agenda.
Marina divide o coração entre duas paixões: a publicidade e a atuação. Em entrevista exclusiva ao Alagoas Notícia Boa (ALNB), ela contou como foi sua reação ao ser premiada e o que aprendeu com a personagem que interpretou.
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“Eu tinha acabado de chegar em casa de um aniversário quando recebi a ligação do diretor Yago Candido informando que eu havia ganhado o prêmio de Melhor Atuação. Fiquei extremamente feliz porque realmente não esperava; na verdade, nem tinha me ligado que estava competindo. Pode parecer algo pequeno, mas, para mim, veio como uma afirmação de que estou trilhando o caminho certo e que todo o meu estudo e esforço valeram a pena. No final das contas, é possível, sim, dar conta de tudo”, afirma.
O diretor do curta “Olhar de Espírito”, Yago Candido, ficou extremamente feliz ao receber a notícia do prêmio, que também marcou seu primeiro trabalho na direção.
“Quando vi o anúncio de Marina, vencendo como Melhor Atuação na Mostra Filé, não existiu outra sensação senão a de alegria ao ver o resultado de uma preparação e dedicação incríveis sendo reconhecido. A alegria foi em dose dupla: esse foi meu primeiro trabalho como diretor e também o primeiro como preparador de elenco. Eu realmente me desafiei nesse quesito para entender que não é apenas dirigir a cena, mas compreender o que de fato existe na mente do personagem”, conta.

O curta-metragem “Olhar de Espírito” foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo e gravado ao longo de cinco dias. Apesar da construção de uma história carregada de tensão, a proposta da produção foi inversa nos bastidores.
“A ideia era trazer uma experiência leve e acolhedora, não só para a Marina como protagonista, mas para todos que estavam no set”, revela o diretor.
Ambientado no período da pandemia, o filme acompanha a rotina de Yasmin, que vive sozinha. A trama mergulha em feridas profundas da personagem, que foi sequestrada na infância. Esse trauma é reativado quando ela assiste a uma notícia sobre um homem que está invadindo casas e atacando pessoas.
A partir desse gatilho, Yasmin entra em um processo de estresse pós-traumático onde o pânico se torna constante. Ela passa a temer cada ruído e movimento ao seu redor, tentando, ainda assim, manter sua rotina habitual. No entanto, o medo evolui para um estado psicológico crítico, onde a linha entre a realidade e o pesadelo se torna perigosamente tênue.
Dando vida a Yasmin
Marina Sales interpretou Yasmin, a jovem que se viu perdida em pensamentos, TOCs e traumas durante a pandemia. No curta, a personagem começa a sentir que o verdadeiro perigo não está apenas do lado de fora, mas também nas sombras de sua própria memória.
“Quando surge a ideia de criar um personagem, a gente imagina como ele será fora do papel. Quando Arthur e eu nos aprofundamos em Yasmin e conhecemos a Marina, sabíamos que não havia outra escolha sobre quem merecia o papel”, lembra Yago.

A personagem deixou uma marca em Marina, ensinando-lhe lições valiosas.
“A Yasmin sofre o filme inteiro. Primeiro, precisei aprender a acessar o medo que ela sente. Ela sofre de estresse pós-traumático, então o gatilho que recebe acaba trazendo diversos sentimentos e memórias à tona. Porém, mesmo com medo, ela não deixa que aquilo afete sua rotina, seu trabalho e seus estudos. O que aprendi com ela foi a não deixar o medo me vencer. Ela é muito corajosa; não sei se eu teria a mesma coragem (risos), teria ido embora daquela casa no primeiro susto”, diz Marina.
Segundo Yago, a energia de Marina ajudou a dar ainda mais vida à personagem.
“Marina ajudou a trazer muito dessa energia para a personagem durante os dias de preparação antes das filmagens. A pesquisa por trás dos medos e dos métodos que ativaram esse gatilho ajudou muito a chegar ao resultado que temos em tela. Durante toda a preparação, busquei trazer naturalidade às suas ações, o que ajudou a reconhecer a verdade em cena e nos levou a esse momento maravilhoso.”

Para ambos, a premiação serviu como “combustível” para os talentos que Alagoas coleciona.
“Que seja o primeiro de muitos para a valorização da grande artista que temos como vencedora. Vamos continuar trabalhando, estudando e crescendo para nos tornarmos artistas melhores a cada dia”, acrescenta Yago.
Rotina puxada
Marina tem uma vida corrida: dois trabalhos, estudos e atividades que agregam à sua carreira artística, como aulas de dança. Segundo a atriz, sua rotina é desafiadora, pois há dias em que sai de casa às 06h30 e só retorna após as 22h.
Além da rotina extensa, sua profissão exige esforços “invisíveis”, como aulas de canto e dança, somando cerca de sete aulas por semana. No meio publicitário, como social media, Marina precisa se atualizar constantemente, pois é um mundo onde “tudo está sempre mudando”.
“Conciliar meus dois trabalhos é bem cansativo, mas acredito que não trocaria essa rotina por algo mais ‘calmo’. As duas profissões me movem, me completam e me colocam em caminhos que eu não trilharia de outra forma. Sinto que é esse caos que me mantém criativa. Tem dias em que a exaustão quer vencer, mas é importante seguir em frente e viver um dia de cada vez”, afirma.
Sobre a Mostra
A 1ª Mostra Filé aconteceu nos dias 21 e 22 de março de 2026, na Casa Sambacaitá, no bairro do Jaraguá, em Maceió. O evento reuniu uma programação dedicada exclusivamente ao cinema de ficção produzido no estado, com o objetivo de ampliar a circulação de obras locais e aproximar o público das produções mais recentes do audiovisual alagoano.
Ao todo, a Mostra contou com 16 filmes exibidos ao longo de dois dias. A programação foi dividida em duas seções principais: a Sessão Paralela, dedicada a produções da Daniel Ricardo Filmes, no sábado (21); e a Sessão Competitiva, que reuniu 12 filmes selecionados pela curadoria, apresentada no sábado e no domingo (22).
O encerramento contou com a cerimônia de premiação, reconhecendo os destaques da edição e valorizando a produção de ficção realizada em Alagoas. Voltada exclusivamente para obras de ficção e híbridas dirigidas por pessoas nascidas ou residentes no estado, a Mostra Filé deu destaque às narrativas produzidas no próprio território alagoano.
