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Mercado de capitais ganha protagonismo no financiamento do agro brasileiro

Para Márcio Peixoto da Silva Júnior, CFO do Grupo Farias, conglomerado com sete usinas de açúcar e etanol e negócios diversificados, o acesso estruturado ao mercado de capitais é um divisor de águas para empresas que buscam crescimento sustentável.

O agronegócio brasileiro vive uma transformação silenciosa, mas estratégica: a crescente utilização do mercado de capitais como alternativa ao crédito bancário tradicional. Em um setor intensivo em capital e exposto à volatilidade climática e cambial, diversificar fontes de financiamento tornou-se fator decisivo de competitividade.

Para Márcio Peixoto da Silva Júnior, CFO do Grupo Farias, conglomerado com sete usinas de açúcar e etanol e negócios diversificados, o acesso estruturado ao mercado de capitais é um divisor de águas para empresas que buscam crescimento sustentável.

“O mercado de capitais permite alongar prazos, reduzir dependência bancária e estruturar funding compatível com o ciclo do agro. Mas isso exige governança, previsibilidade e credibilidade”, afirma.

CRA e funding estruturado impulsionam o setor

Instrumentos como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) vêm ampliando a capacidade de captação das empresas do setor. A estrutura permite transformar recebíveis futuros em recursos imediatos, com prazos mais longos e custos potencialmente mais competitivos.

Com experiência na estruturação de operações bilionárias no setor sucroenergético, Márcio destaca que a chave não está apenas no instrumento financeiro, mas na qualidade da estrutura por trás da operação.

“O investidor compra previsibilidade. Demonstrações financeiras organizadas, fluxo de caixa consistente e gestão de risco bem definida são determinantes para o sucesso da emissão.”

Segundo ele, empresas que investem em governança e transparência ampliam significativamente seu leque de investidores e reduzem o prêmio de risco exigido pelo mercado.

Gestão de risco e credibilidade como base

O agro brasileiro opera em ambiente de alta exposição ao dólar e às commodities. Nesse cenário, a profissionalização da gestão financeira, com políticas claras de hedge e controle de exposição, torna-se elemento essencial para acessar capital com melhores condições.

“Não basta captar. É preciso demonstrar capacidade de honrar compromissos mesmo em cenários adversos. O mercado avalia resiliência, estrutura de capital e disciplina financeira”, ressalta.

Para Márcio, o mercado de capitais não deve ser visto apenas como fonte de recursos, mas como ferramenta estratégica de longo prazo.

Márcio Peixoto da Silva Júnior

Crescimento com disciplina

Para Márcio, o mercado de capitais não deve ser visto apenas como fonte de recursos, mas como ferramenta estratégica de longo prazo.

“Captação precisa estar alinhada à estratégia. O objetivo não é apenas crescer, mas crescer com endividamento saudável e retorno adequado sobre o capital investido.”

Ele observa que, à medida que o agronegócio brasileiro ganha escala e sofisticação, a tendência é que mais empresas adotem estruturas típicas de companhias abertas, mesmo permanecendo fechadas.

“O futuro do agro passa por profissionalização, governança e acesso estruturado a capital. Quem entender isso antes terá vantagem competitiva relevante.”

Em um cenário de expansão global da demanda por alimentos e energia renovável, o mercado de capitais consolida-se como parceiro estratégico do campo, conectando produção, indústria e investidores em uma equação cada vez mais sofisticada de crescimento e geração de valor.

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