24/02/2026
A economia brasileira tem assistido a uma mudança silenciosa, porém estrutural, no perfil das empresas de médio porte. Pressionadas por margens apertadas, aumento de custos operacionais e maior rigor competitivo nos canais digitais, essas organizações vêm adotando práticas de governança, tecnologia e gestão integrada que antes eram características predominantes de grandes corporações.
Segundo dados do setor de comércio eletrônico, os marketplaces consolidaram-se como principal canal de expansão para milhares de empresas brasileiras. A digitalização acelerada, intensificada pela pandemia, elevou o nível de exigência em critérios como tempo de resposta, reputação digital, padronização de anúncios e eficiência logística. Nesse cenário, improviso deixou de ser tolerado pelo mercado.
A modernização operacional passou a envolver não apenas a presença online, mas uma revisão profunda de processos internos. Migração para servidores mais seguros, criação de ambientes distintos de produção e testes, implementação de camadas adicionais de segurança digital e uso de inteligência artificial no atendimento tornaram-se medidas estratégicas para garantir estabilidade e escala.

Mariana Tassin
Para a executiva Mariana Tassin, que atua há mais de dez anos na estruturação e reorganização de operações empresariais, o ponto central da competitividade está na visão sistêmica. Ao longo de sua experiência em empresas de médio e grande porte, ela acompanhou a integração de setores como financeiro, recursos humanos, logística, atendimento e jurídico, defendendo que falhas isoladas comprometem toda a estrutura organizacional. Em sua avaliação, tecnologia é ferramenta, mas o verdadeiro diferencial está na organização estratégica dos processos e na capacitação das equipes.
Outro fator relevante é o papel da liderança feminina em posições executivas. O avanço de mulheres em cargos estratégicos tem ampliado a diversidade de decisões e fortalecido modelos de gestão colaborativos. Estudos apontam que empresas com maior diversidade em cargos de liderança apresentam melhores indicadores de inovação e governança, aspecto que influencia diretamente resultados financeiros e sustentabilidade de longo prazo.
A aplicação de inteligência artificial no atendimento ao cliente é um exemplo concreto dessa nova fase. A automação permite reduzir tempo de resposta, melhorar avaliações em plataformas digitais e liberar equipes para atividades analíticas e estratégicas. Em mercados altamente competitivos, agilidade no atendimento pode representar diferença significativa na retenção e fidelização de clientes.
O fortalecimento dos marketplaces também exige padronização operacional. Empresas que estruturam equipes dedicadas à gestão de anúncios, análise de dados e controle logístico tendem a conquistar maior previsibilidade de faturamento. A organização interna torna-se tão relevante quanto a estratégia comercial externa.
O cenário indica que a profissionalização das empresas médias não é tendência passageira, mas adaptação necessária para sobreviver em ambiente econômico cada vez mais técnico e integrado. A combinação entre liderança estratégica, tecnologia aplicada e visão sistêmica tem sido determinante para garantir eficiência e crescimento sustentável.
À medida que o Brasil busca ampliar sua competitividade global, a modernização das operações empresariais ganha relevância nacional. A consolidação de estruturas organizadas, seguras e orientadas por dados pode representar não apenas vantagem individual para empresas, mas contribuição significativa para a produtividade e estabilidade econômica do país.
