O Brasil inicia 2026 com um dado muito preocupante: o de país mais ansioso do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nos últimos dois anos, a Previdência Social registrou recordes de afastamentos por transtornos mentais, mostrando que a saúde emocional deixou de ser um tema secundário para se tornar uma prioridade de sobrevivência.
Diante desse quadro, que é discutido em todos os lugares, o Alagoas Notícia Boa (ALNB) conversou com duas psicólogas para falar sobre o segredo para um ano mais equilibrado.
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Para a psicóloga e mentora de carreira Margareth Cardoso, o primeiro passo para enfrentar a ansiedade é a reflexão. Segundo ela, é preciso identificar quais fatores geram tensão e buscar formas diferentes de lidar com eles.
“Para começarmos o ano com menos ansiedade, ou administrando melhor as nossas emoções, a primeira coisa é parar um pouco e refletir sobre quais fatores da nossa vida nos deixam mais ansiosos e se existe a possibilidade de lidar ou vivenciar essas situações de uma forma diferente da que foi feita no ano passado”.
De maneira mais objetiva, Margareth defende que existem atividades que podem ajudar a melhorar esse estado ansioso ou essa desregulação emocional.
“Caminhar é uma atividade que ajuda bastante na regulação emocional, especialmente a caminhada ao ar livre. Ela estimula o cérebro de forma bilateral, favorece a oxigenação e traz mais clareza de pensamento. A caminhada oferece diversos benefícios, não apenas físicos, mas também emocionais.”
Além do movimento, Margareth destaca o tripé básico da saúde física: dormir e se alimentar bem.
“Quando o corpo entra em um estado de privação, isso gera uma demanda física. Seja por falta de sono ou por alimento, essas ‘faltas’ acabam desregulando as emoções e aumentando a tensão emocional. O corpo e o cérebro passam a entender que estão em situação de escassez”, explica.
Desacelerar e desconectar
Quando falamos de mente ansiosa, não podemos desassociar ao uso de telas. O desafio da saúde mental em 2026 passa, inevitavelmente, pela nossa relação com a tecnologia. Em um mundo de trabalho híbrido, a exaustão visual tornou-se rotina.
A recomendação é, ao encerrar o expediente no computador, o ideal é não migrar imediatamente para o celular ou para a televisão e sim viver uma pausa.

Margareth sugere “pausas regenerativas” que envolvam o silêncio, a música, o contato com plantas ou até a troca da iluminação da casa por tons mais quentes e suaves, que preparam o cérebro para o repouso.
“O cérebro precisa de descanso desse tipo de estímulo. Então, vale escutar uma música, dançar se for possível, brincar; quem tem crianças ou adolescentes em casa pode aproveitar esse momento, jogar um jogo, ou simplesmente exercitar o silêncio. Muitas vezes, a gente teme o silêncio, mas ele é fundamental para acalmar a mente, o olhar e a alma”
Caso não tenha disponibilidade de realizar atividades acima por um longo período, a psicóloga diz que mesmo que de forma rápida, esse descanso é válido.
“Levante-se por um ou dois minutos, saia da frente do computador, vá até a varanda, a porta ou a cozinha, caminhe um pouco. Além de quebrar o tempo prolongado sentado, essas pausas ajudam a tirar o foco visual e mental da tela. Levantar, alongar, olhar para a natureza, sentir o vento. O contato com o ar-livre ajuda muito a descansar a mente do excesso de estímulos visuais”, finaliza.
Concentrar nas “boas notícias”
Outra dica que auxilia muito no combate à ansiedade e no consumo de boas notícias.
“Discuto desde a época da pandemia que é importante termos cuidado para não consumir o mesmo conteúdo repetidamente. Principalmente notícias negativas. O nosso cérebro vai somando essas informações. Se você escuta sobre um acidente pela manhã, depois ao meio-dia e novamente à tarde, mesmo sendo o mesmo acontecimento, o cérebro pode interpretar como se vários acidentes estivessem acontecendo. Isso ativa o sistema de alerta e vigilância do cérebro, alimentando a ansiedade”.
Quando exposto a coisas negativas, nosso cérebro tende a se concentrar na parte ruim.
“Escolha conscientemente o veículo, a quantidade de informação que você realmente precisa consumir, os temas que são relevantes para a sua vida e a frequência com que você se expõe a esse conteúdo. Quando você se enche de coisa boa, você se inspira, cria esperança e vê a vida de forma mais leve”, finaliza.
Cinco minutos
Complementando esse olhar, a psicóloga Ieda Boucault, especialista em inteligência emocional e dinâmicas de grupo, propõe estratégias práticas para o dia a dia. Para quem busca cuidar da mente sem gastar horas, Ieda sugere um “ritual de cinco minutos” logo ao acordar, que integra o corpo e a Programação Neurolinguística (PNL).
A prática consiste em respirar profundamente enquanto se espreguiça e alonga cada articulação ainda na cama, agradecendo pela oportunidade de viver mais um dia.
Durante o movimento, deve-se afirmar palavras positivas como “sou feliz, sou capaz e me respeito como sou”, finalizando com um comando de merecimento: “Aceito, recebo e mereço tudo o que vou viver hoje. Eu me amo”. Palavras positivas atraem pensamentos positivos.

Essa conexão física é uma ferramenta poderosa para “limpar” pensamentos negativos. Ieda explica que o alongamento com movimentos lentos, começando pela cabeça e seguindo até os pés, ajuda a trazer a atenção para o momento presente, desviando o foco daquilo que gera estresse e ansiedade.
“A vida, após períodos de esgotamento, não precisa e nem deve voltar ao ritmo frenético de antes. O momento pede uma reorganização gradual, com gentileza e acolhimento dos próprios limites. Reorganizar não é resolver tudo de uma vez, mas permitir que o descanso faça parte do cotidiano sem culpa. Nesse processo, o desenvolvimento da inteligência emocional e o autoconhecimento são pilares fundamentais para reconhecer sinais de cansaço e fortalecer a confiança interna, garantindo escolhas mais conscientes e uma rotina verdadeiramente saudável”, finaliza Ieda Boucault.
