As fachadas de duas agências do Banco do Nordeste (BNB) em Alagoas ganharam cores e referências da cultura local. Murais produzidos por artistas alagoanos transformaram as unidades de Maragogi e União dos Palmares em espaços de arte a céu aberto.
As intervenções fazem parte do Programa Galerias Urbanas, do Centro Cultural do BNB, que seleciona artistas para criar obras inspiradas na identidade dos territórios onde estão instaladas as agências. Em Alagoas, Batalha, Maceió e Olho d’Água das Flores também receberão murais e estão na fase de seleção dos artistas.
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Em Maragogi, o grafiteiro e artista visual Joe Santos buscou no coco de roda a inspiração para a fachada. Produzida com tinta spray, a obra reúne personagens tocando pandeiro e ganzá e elementos da paisagem, como o mar, o sol e o coqueiro.
“Eu sempre busco trazer uma proposta que seja condizente com o ambiente e que leve em consideração a história do lugar”, explica Joe.
A escolha do coco também dialoga com a localização de Maragogi, no Litoral Norte próximo à divisa com Pernambuco. A manifestação cultural possui fortes raízes nos dois estados.
Memória e ancestralidade
Em União dos Palmares, o artista visual Jhonyson Nobre voltou às próprias memórias para criar o mural. Natural do município, ele retratou crianças negras brincando de ciranda, numa composição que aborda infância, pertencimento e ancestralidade.
As crianças aparecem conectadas por fios vermelhos, representando os vínculos entre diferentes gerações. A obra também traz referências à procissão de Santa Maria Madalena, padroeira da cidade, e ao bairro Castelo, onde Jhonyson nasceu e cresceu.
“Queria falar do território a partir de uma memória mais próxima, do cotidiano, das coisas que atravessaram a minha própria infância e que talvez também atravessem a memória de outras pessoas que cresceram aqui”, conta.
Pintado manualmente sobre os azulejos da fachada, o trabalho utiliza pincéis, rolos e tintas próprias para áreas externas.
Segundo a gerente executiva do Centro Cultural do BNB, Juliana Coelho, o programa busca aproximar arte, cultura e território, além de abrir espaço para a produção de artistas locais.
A seleção ocorre por editais públicos, pesquisa curatorial e análise de portfólios. Entre os critérios estão a trajetória do artista, sua relação com o território e a adequação da proposta ao conceito do programa.
