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Brasil: o desafio da preservação muscular na longevidade

FITOWAY

O Brasil está vivendo mais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida da população brasileira ultrapassa os 76 anos e deve continuar crescendo nas próximas décadas. Ao mesmo tempo, o país assiste ao avanço acelerado da população idosa. A projeção é que, até 2030, o número de brasileiros com mais de 60 anos supere o de crianças e adolescentes de até 14 anos.

Mas existe um desafio que acompanha esse processo e que preocupa especialistas em saúde pública: viver mais não significa necessariamente viver melhor.

Dados do Ministério da Saúde mostram que doenças crônicas, perda de mobilidade, fragilidade física e dependência funcional seguem entre os principais desafios da população idosa. O resultado é um cenário em que milhares de brasileiros ganham anos de vida, mas perdem qualidade de vida ao longo do envelhecimento.

Para o preparador físico e nutricionista esportivo Rafael Barleze, consultor da FTW Suplementos, um dos fatores mais negligenciados nessa discussão é a preservação da massa muscular.

“A perda de músculo não é apenas uma questão estética. Ela está diretamente relacionada à autonomia, ao equilíbrio, à capacidade de realizar atividades simples do dia a dia e até ao risco de hospitalizações. Quando uma pessoa perde massa muscular, ela perde independência”, explica.

Segundo o especialista, após os 50 anos o organismo passa a apresentar uma condição conhecida como resistência anabólica, fenômeno em que os músculos se tornam menos responsivos aos estímulos tradicionais de alimentação e exercício físico. Isso significa que a mesma quantidade de proteína que funciona para um adulto jovem pode não ser suficiente para um idoso.

Uma revisão científica publicada em 2024 na revista Frontiers in Nutrition mostrou que adultos jovens conseguem estimular adequadamente a síntese proteica muscular com aproximadamente 20 gramas de proteína de alta qualidade por refeição. Já para idosos, essa necessidade pode ultrapassar 40 gramas por refeição para alcançar resposta semelhante.

Além da quantidade, a qualidade da proteína também faz diferença. O estudo destaca a importância da leucina, aminoácido considerado um dos principais ativadores da síntese proteica muscular. Fontes como whey protein, ovos, carnes magras e derivados lácteos apresentam papel importante nesse processo.

Outro ponto fundamental é a prática de exercícios físicos. Segundo a revisão, atividades de força, como musculação e exercícios resistidos, são um dos estímulos mais eficientes para manutenção da massa muscular ao longo do envelhecimento. A chamada “janela anabólica” pode permanecer ativa por até 72 horas após o exercício, ampliando a capacidade de construção muscular quando associada ao consumo adequado de proteínas.

“A combinação entre proteína e exercício físico é uma das ferramentas mais poderosas que temos hoje para envelhecer com qualidade. Não estamos falando apenas de ganhar músculo, mas de reduzir o risco de quedas, preservar mobilidade e garantir que a pessoa continue ativa e independente por mais tempo”, afirma Barleze.

O especialista alerta que o impacto dessa discussão vai além do indivíduo e se torna uma questão social e econômica. Com o envelhecimento acelerado da população, o aumento da dependência funcional pode pressionar famílias, cuidadores e o próprio sistema de saúde.

“Se não investirmos em prevenção, alimentação adequada e atividade física, teremos cada vez mais pessoas vivendo por mais tempo, mas precisando de assistência constante. A longevidade precisa vir acompanhada de qualidade de vida. Esse é o grande desafio das próximas décadas”, conclui.

Para Barleze, a ciência já deixou claro que preservar músculos significa preservar autonomia. E, em um país que envelhece rapidamente, essa pode ser uma das estratégias mais importantes para transformar anos extras de vida em anos extras de saúde.

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