Uma pequena mosca, conhecida popularmente como mosca-da-fruta, acaba de colocar Alagoas na rota da pesquisa biotecnológica de ponta. O Laboratório de Análise in vivo da Toxicidade e Doenças Neurodegenerativas da Universidade Federal de Alagoas (Lavitox/Ufal) conquistou uma autorização inédita da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Agora, ele é o primeiro laboratório do estado certificado em nível de biossegurança NB1 para desenvolver pesquisas com organismos geneticamente modificados utilizando a Drosophila melanogaster (a mosca-da-fruta) como modelo experimental.
A conquista eleva o patamar da ciência produzida no Nordeste, permitindo que a Ufal integre um grupo seleto de instituições brasileiras aptas a desenvolver investigações rápidas e de alta qualidade sobre o cérebro humano.
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“Esse reconhecimento representa anos de construção científica, formação de pessoas, fortalecimento da biossegurança e compromisso com uma ciência ética, inovadora e de impacto real”, destaca o coordenador do Lavitox, o professor Lucas Anhezini.
Por que a mosca-da-fruta?
Embora pareça surpreendente, a escolha da Drosophila melanogaster tem forte relevância científica: aproximadamente 75% dos genes associados a doenças humanas possuem correspondentes funcionais na mosca. Isso torna o organismo uma ferramenta extremamente poderosa para pesquisas em neurociências, genética e descoberta de novos fármacos.
Atualmente, o Lavitox desenvolve modelos voltados ao estudo de doenças como Alzheimer, Parkinson, Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e Epilepsia. Com a nova certificação, o laboratório poderá expandir essas plataformas utilizando linhagens transgênicas mais sofisticadas.
Além do salto científico, a certificação posiciona Alagoas em uma forte tendência internacional: a busca pela substituição e redução do uso de modelos vertebrados, como ratos, na experimentação científica, promovendo uma ciência muito mais ética e moderna.
Rede Sul-Americana e Inovação de Mercado
O credenciamento também impulsiona o NeuroSur, uma rede sul-americana de neurogenética funcional coordenada pela Ufal. A iniciativa reúne instituições de diferentes países para validar variantes genéticas focadas especificamente na diversidade da população da América do Sul, preenchendo uma lacuna histórica, já que a maioria das ferramentas atuais é baseada em dados dos Estados Unidos e Europa.
Outro desdobramento estratégico é a parceria do Lavitox com a NexusBioTox, startup de base biotecnológica nascida dentro da própria universidade. O laboratório funcionará como o braço experimental para ensaios com as moscas, abrindo caminho para oferecer à indústria farmacêutica plataformas de triagem de novos medicamentos com custo menor, mais agilidade e segurança regulatória.
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