Filha de paraibanos de origem humilde e primeira doutora de uma família enorme, a dentista abriu o próprio consultório endividada, em 2017. Hoje, ao lado do marido, comanda a Clínica Unifique, com sete especialistas, e figura entre os nomes de destaque da odontologia estética.
“Sua imagem deve refletir a vida que você construiu.”
A frase é o lema da Dra. Ester Abrantes, dentista especializada em odontologia estética — e resume tanto o trabalho que ela faz quanto a própria história.
Filha mais velha de um casal de paraibanos de pouca escolaridade, Ester estudou a vida inteira em escola pública e começou a trabalhar aos 16 anos. A faculdade de odontologia foi interrompida mais de uma vez por falta de dinheiro, e ela se formou trabalhando — boa parte do tempo na Feira da Madrugada, em São Paulo.
Numa família imensa, em que só o pai tinha 22 irmãos, é a primeira, e por enquanto a única, com diploma de ensino superior.
Dessa origem veio o traço que atravessa toda a carreira dela: a disposição para o trabalho. Recém-formada, aceitava tudo — se o serviço era longe, ia; se perguntavam se fazia determinado procedimento, topava. Especialista em endodontia, chegou a atuar também com implantes.
Mas foi por volta de 2015 e 2016, ao entrar em uma clínica então tida como referência, que ela encontrou a área onde decidiu ficar: mergulhou na odontologia estética e na reabilitação de sorrisos, a verdadeira virada de chave da carreira.
A mesma clínica que a transformou profissionalmente, porém, seria a origem do período mais difícil da sua vida — uma parte da história que Ester conta pela primeira vez.
Pouco depois, o negócio entrou em colapso e deixou muitos pacientes desamparados. Como ela sempre esteve próxima deles, virou a pessoa a quem muitos recorreram. No processo, herdou dívidas, pendências e complicações que não havia criado.
Mesmo sem ter causado o problema, decidiu assumir a responsabilidade de reparar o que fosse possível — e arcou com as consequências.
Foi desse fundo de poço que nasceu o consultório próprio.
Em 2017, endividada e sem capital, Ester vendeu o carro e alugou uma sala com um acordo simples: começaria a atender e só pagaria o aluguel depois do primeiro mês. Contou com a ajuda do irmão e de um professor da especialização — hoje já falecido — que acreditou nela quando quase ninguém tinha motivo para acreditar.
Os pacientes, diz ela, nunca faltaram.
O resto foi construído devagar, com o pé no chão. A cada mês, uma melhoria: estrutura, tecnologia, mais estudo. Aos poucos, ela quitou as dívidas e resolveu as pendências jurídicas herdadas da antiga clínica.
O que parecia grande demais virou alicerce.
Pelo caminho, somou especializações, pós-graduações e mais de 40 cursos voltados à odontologia estética.
Hoje, a Clínica Unifique, no Tatuapé, em São Paulo, reúne uma equipe de sete dentistas, cada um dedicado à sua especialidade. Ester lidera a área clínica, enquanto Rafael, seu marido, está à frente da gestão administrativa.

Juntos, construíram uma estrutura em que cuidado, organização e especialização caminham na mesma direção.
Os números acompanham a estrutura. Ester soma 12 anos de formada, dez deles dedicados exclusivamente à estética, e diz já ter cuidado de mais de 10 mil pacientes.
Chegou a figurar entre os 50 nomes de destaque da odontologia estética — marca que ela faz questão de sublinhar por ser mulher em um nicho ainda predominantemente masculino.
Mas quando fala do que mais a orgulha, ela não recorre a ranking.
Fala dos casos que passaram por suas mãos, dos pacientes que viraram amigos, das histórias que acompanhou. E, antes de qualquer título, aponta onde está a sua principal missão: dentro de casa, ao lado de Rafael e do filho, Pedro.
À fé, credita boa parte de tudo o que viveu.
“Quando olho para a minha história, não enxergo apenas aquilo que eu construí. Enxergo tudo aquilo que Deus me permitiu construir”, diz.
Da Feira da Madrugada ao reconhecimento internacional, a distância é enorme.
Ester atravessou porque nunca parou de trabalhar — e porque, quando o caminho mais lógico teria sido desistir, escolheu construir a odontologia em que acreditava.
