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Fundador da “Amazon da China” promete não substituir funcionários por IA

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O fundador e presidente da gigante chinesa de comércio eletrônico JD.com — considerada por muitos como a “Amazon da China” — afirmou em uma mensagem dirigida aos funcionários da empresa que não demitirá nenhum dos 900 mil trabalhadores para substituí-los por ferramentas de inteligência artificial ou outros tipos de automação.

De acordo com a Bloomberg, Liu Qiangdong disse aos funcionários que “fará tudo o que for possível para proteger o emprego de centenas de milhares de trabalhadores”, referindo-se especialmente aos que atuam nos armazéns da JD.com.

“A JD.com não vai demitir um único trabalhador da linha de frente para substituí-lo por uma máquina”, afirmou Liu Qiangdong.

Apesar dessa promessa, sabe-se que a empresa chinesa vem testando múltiplas tecnologias para automatizar parte de seus processos. O fundador da JD.com afirma, no entanto, que essa estratégia não tem como objetivo substituir trabalhadores.

É importante destacar também que a promessa de Liu Qiangdong ocorre em um momento em que o governo chinês já demonstra preocupação com empresas que substituem funcionários por ferramentas de inteligência artificial.

China desencoraja substituição de trabalhadores por IA

As autoridades chinesas têm desencorajado empresas a substituir trabalhadores por inteligência artificial, em uma tentativa de equilibrar a adoção de novas tecnologias com a necessidade de manter a estabilidade social, em um país onde o desemprego entre jovens permanece elevado.

Segundo o Wall Street Journal, o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng se reuniu no verão passado com grandes empregadores do país, incluindo empresas de tecnologia, bancos e fabricantes de automóveis, para discutir o impacto da IA no mercado de trabalho.

Embora algumas empresas apontem que a tecnologia pode criar empregos nos próximos anos, também alertam que a adoção total da IA pode eliminar mais de 30% dos postos de trabalho existentes.

De acordo com fontes citadas pelo jornal, isso levou Pequim a emitir, no fim do ano passado, orientações para que empresas de tecnologia evitem demissões relacionadas à adoção de IA.

A preocupação surge em um momento em que a segunda maior economia do mundo enfrenta dificuldades persistentes no mercado de trabalho. A taxa de desemprego entre jovens urbanos de 16 a 24 anos, excluindo estudantes, ficou em 16% em abril.

“A China está tentando equilibrar duas prioridades fundamentais: estabilidade social e crescimento da produtividade. A IA, como tecnologia potencialmente transformadora, pode obrigar Pequim a tomar decisões difíceis”, afirmou Kyle Chan, pesquisador da Brookings Institution, citado pelo WSJ.

Apesar das restrições, o governo chinês continua incentivando a adoção da IA. A estratégia “IA+”, lançada em agosto passado, prioriza o uso da tecnologia em setores como manufatura e logística, considerados menos sensíveis à substituição de trabalhadores qualificados de escritório.

Segundo fontes, as autoridades também passaram a exigir que empresas justifiquem demissões e, em alguns casos, comprovem que cortes de pessoal não estão diretamente ligados à substituição por sistemas de IA.

Casos recentes reforçam essa postura.

Em Hangzhou, no leste da China, um supervisor de controle de qualidade de sobrenome Zhou processou a empresa onde trabalhava após ser substituído por um sistema de IA. O tribunal deu ganho de causa ao funcionário e determinou uma indenização de cerca de 38 mil dólares (aproximadamente 32,6 mil euros) por demissão indevida.

Em outro caso semelhante, em Pequim, um trabalhador responsável pela coleta de dados cartográficos perdeu o emprego após a automação de suas funções e também venceu o processo contra o empregador. As autoridades locais usaram o caso para reforçar que a IA não é justificativa válida para demissões e que as empresas devem priorizar treinamento e recolocação profissional.

Ao mesmo tempo, gestores de recursos humanos de empresas de tecnologia reconhecem que algumas funções já estão sendo reduzidas devido ao avanço da IA, enquanto outras estão sendo redefinidas para tarefas mais complexas e de interação humana.

O impacto parece ser especialmente sentido entre trabalhadores mais jovens. John Xie, fundador de uma empresa de software em Guangzhou, afirmou ao jornal que criou agentes de IA capazes de substituir estagiários e funcionários com até dois anos de experiência.

“Me preocupo sinceramente com os jovens. Recém-formados precisam de anos para ganhar experiência, mas a IA pode dominar essas mesmas habilidades em poucas semanas ou meses”, disse.

Notícias ao Minuto

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