Encontro da Dealmakers Academy, liderado por Ricardo Bellino, reúne empresários de todo o país e evidencia uma reflexão crescente sobre saúde, energia e capacidade decisória como ativos estratégicos para o crescimento sustentável.
Quando centenas de empresários se reúnem para discutir expansão, negociação e crescimento, a expectativa costuma girar em torno de estratégia, investimentos e geração de negócios. Mas, nos bastidores da última edição da Dealmakers Academy, realizada em Campinas sob a liderança do empresário e investidor Ricardo Bellino, outra reflexão começou a ganhar espaço: quem está cuidando da saúde de quem sustenta as grandes decisões?
Durante o encontro, empresários, investidores, executivos e líderes de diferentes regiões do país compartilharam experiências sobre crescimento empresarial, negociações e construção de negócios de maior escala.
O ambiente, tradicionalmente voltado ao desenvolvimento estratégico das empresas, também revelou uma preocupação cada vez mais presente entre lideranças que convivem diariamente com decisões de alto impacto: o desgaste físico e mental provocado pela pressão constante da alta performance.
O cenário não é novo, mas vem se tornando mais evidente.
Rotinas intensas, jornadas prolongadas, privação de sono, excesso de estímulos, sobrecarga emocional e dificuldades para manter clareza nas decisões passaram a fazer parte da realidade de muitos empresários.
A consequência, segundo especialistas que acompanham o comportamento de lideranças, é que o custo desse desgaste nem sempre aparece imediatamente nos indicadores financeiros, mas costuma refletir diretamente na qualidade das decisões, na inovação, nas relações internas e na capacidade de sustentar o crescimento ao longo do tempo.
É nesse contexto que surge o conceito de Health Led Growth, movimento que propõe uma mudança na forma como empresas enxergam o desenvolvimento de seus líderes.
A proposta parte de uma premissa simples: saúde deixou de ser apenas uma questão individual e passou a representar um ativo estratégico para organizações que dependem da capacidade decisória de seus executivos.
Na prática, a ideia desloca o debate do bem-estar corporativo para uma visão mais ampla, em que equilíbrio físico, emocional e cognitivo passam a ser considerados fatores diretamente ligados à competitividade empresarial.
Segundo Anna Maoli, treinadora frequencial e idealizadora do movimento, o mercado começa a perceber que existe um limite para o crescimento quando quem lidera opera continuamente sob níveis elevados de desgaste.
“Durante muito tempo aprendemos a construir empresas extraordinárias. Agora talvez a pergunta mais importante seja outra: quem está ensinando esses empresários a preservar a própria energia enquanto constroem tudo isso?”, afirma.
A reflexão acompanha uma transformação observada em ambientes de alta performance, onde temas como longevidade cognitiva, regulação emocional, recuperação física e gestão da energia passam a ocupar espaço ao lado de assuntos tradicionalmente ligados aos negócios, como negociação, valuation, governança e escalabilidade.

A discussão não propõe substituir estratégia por qualidade de vida, mas reconhecer que ambas caminham juntas quando o objetivo é manter crescimento consistente.
Empresas continuam sendo construídas por processos, tecnologia e planejamento.
Mas são pessoas que tomam as decisões capazes de acelerar ou comprometer esse crescimento.
Nesse cenário, a saúde do líder deixa de ser apenas uma questão pessoal para assumir um papel estratégico dentro da própria organização.
Se durante décadas a principal vantagem competitiva esteve concentrada em tecnologia, capital e gestão, uma nova variável começa a entrar nessa equação: a capacidade de manter alta performance de forma sustentável.
Talvez o próximo diferencial competitivo das empresas não esteja apenas na estratégia dos negócios.
Talvez esteja, antes de tudo, na saúde de quem decide seus rumos.
