Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

impactos e oportunidades para a Indústria

Reforma Tributária: impactos e oportunidades para a Indústria

O Brasil tem um sistema tributário complexo. Aplicamos impostos sobre impostos em diferentes etapas das cadeias produtivas, como ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI. Adicionalmente, a legislação é sujeita a diferentes interpretações, elevando o contencioso tributário — que representa a soma de todas as discussões tributárias do país — a quase R$ 6 trilhões de reais por ano, segundo o estudo ‘Contencioso Tributário no Brasil’, produzido pelo Insper.

Se teve algum setor feliz com a Reforma Tributária, esse setor é o industrial. Há quem diga que a Reforma é fruto da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Centro de Cidadania Fiscal (CCIF), e que a desoneração da cadeia produtiva gerará, em média, uma redução de 40% sobre os impostos indiretos incidentes na industrialização.

Isso é uma grande esperança do governo para promover a industrialização num mercado cada vez mais dominado pelos serviços, que já representam 60% do produto interno bruto nacional.

Embora ainda estejamos longe do IVA único e sem exceções, a Reforma Tributária segue o princípio da neutralidade fiscal e é necessária para superar dois principais problemas. O primeiro deles é a cumulatividade que penaliza setores com cadeias de produção mais longas, como a manufatura, em que são cobrados impostos sobre impostos, a famosa bitributação. O segundo é a tributação na origem, que contribui para o que chamamos de guerra fiscalguerra fiscal — a “briga” entre cidades e estados para ver quem oferece os melhores incentivos para atrair investimentos das empresas.

A verdade é que, desde 1995, quando o termo “Custo Brasil” se popularizou, o pagamento de impostos é um dos principais desafios enfrentados pelo setor produtivo. Só para você ter uma ideia, segundo um estudo do Movimento Brasil Competitivo, as empresas destinam, em média, 38% do faturamento para o pagamento de tributos. Para o setor industrial, a carga fiscal é ainda maior e beira 42% do faturamento, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o que equivale ao dobro da média de outros países emergentes.

Mas isso deve mudar com a Reforma Tributária, pois uma das promessas é fixar a alíquota máxima em até 27,3%. Essa redução é capaz de aliviar os custos operacionais, fortalecer a competitividade do setor nos âmbitos nacional e internacional, aumentar a atratividade aos investimentos estrangeiros, estimular a criação de novos empregos, garantir a simplificação burocrática e ainda impulsionar o crescimento econômico.

Outro ponto é que, com a adoção do IVA na Reforma, empresas do segmento industrial poderão registrar os tributos IBS e CBS incidentes nas etapas anteriores da cadeia e compensar tais valores com os tributos incidentes na venda de produtos industrializados, evitando o que chamamos de “tributação em cascata”.

Essas mudanças devem afetar as etapas de fabricação, distribuição, logística e cadeias de fornecimento. Com isso, a Reforma Tributária, que deve se estabelecer por completo até 2033, é vista com grande expectativa pelos players do setor, que têm em mãos a possibilidade de destravar o crescimento e ganhar maior competitividade.

A preocupação da indústria com as exceções

Propor um debate saudável sobre o impacto da Reforma Tributária na indústria manufatureira exige também uma reflexão sobre as exceções ao modelo de cobrança, os chamados “regimes diferenciados”.

Um exemplo é o Imposto Seletivo (IS), popularmente conhecido como “imposto do pecado”, que será aplicado como uma sobretaxa na fabricação, comercialização ou importação de produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Alguns dos itens que podem ser sobretaxados são cigarros, bebidas alcoólicas, alimentos com alto teor de açúcar ou gordura, agrotóxicos e até combustíveis fósseis.

É fácil compreender por que esses produtos podem ser sobretaxados com o “imposto do pecado”, mas é preciso tomar cuidado com as exceções aos modelos de cobrança, pois elas podem gerar um aumento considerável na carga tributária final e prejudicar diferentes indústrias.

São tantas mudanças, que as empresas do setor industrial precisam acompanhar o período de transição de perto, em que novas regulamentações serão estabelecidas e leis complementares, elaboradas. Assim, será possível se beneficiar das mudanças positivas e identificar possíveis impactos negativos, de modo a se antecipar na sua resolução e garantir a competitividade no mercado.

Por Paulo Zirnberger, CEO da Omnitax

Fonte: Agência NoAr



Contabeis

Leia Também

Brasil Origem Week Porto leva cultura e negócios brasileiros a Portugal
Contabilidade, o pilar do empreendedorismo
YouTube pagará R$ 130 milhões para encerrar processo por suspensão da conta de Trump
Irmã de adolescente vítima de suposto estupro coletivo denuncia negligência da escola
Pesquisador da Ufal assina estudo premiado pela principal academia científica dos EUA » Alagoas Notícia Boa
Arte com bandeira de Israel ao fundo e Rav Sany discursando, com destaque para a frase “Um povo não pede permissão para existir” em celebração ao Yom Haátzmaut

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *