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Metade dos profissionais já sofreu ou presenciou assédio no trabalho, diz pesquisa

Metade dos profissionais já sofreu ou presenciou assédio no trabalho, diz pesquisa

Uma pesquisa realizada pela CLA Brasil entre março e julho de 2025 revelou que 50% dos profissionais brasileiros já sofreram ou presenciaram algum tipo de assédio no ambiente de trabalho. O levantamento ouviu mais de 400 respondentes de forma online e buscou dimensionar a gravidade do problema no país.

Segundo os organizadores, o objetivo foi oferecer dados concretos para apoiar empresas na criação de ambientes mais seguros, inclusivos e respeitosos.

O estudo identificou que o assédio no trabalho está diretamente relacionado à postura dos gestores. Em 85% dos episódios relatados, os agressores ocupavam cargos de gestão, coordenação ou diretoria.

Um ponto de destaque foi o aumento dos relatos envolvendo gestores de nível intermediário, como coordenadores e gerentes. Essa camada, chamada de “little manager”, aparece como responsável por boa parte das ocorrências.

De acordo com a pesquisa, a pressão por resultados e a tolerância a comportamentos inadequados contribuem para a repetição de práticas abusivas nesse nível hierárquico. Especialistas alertam que apenas políticas escritas não são suficientes, sendo necessário garantir uma cultura organizacional que não normalize atitudes de assédio.

Perfil das vítimas e dos agressores

O levantamento traçou o perfil das pessoas mais afetadas pelo assédio no trabalho. As vítimas são, em sua maioria, mulheres (63%), profissionais jovens entre 25 e 34 anos (38%), e ocupantes de cargos de analista (36%).

Os casos concentram-se principalmente em empresas de médio porte (55%) e no setor de serviços (47%). A pesquisa indica que fatores estruturais, como menor representatividade feminina em cargos de liderança e desigualdade salarial, tornam as mulheres mais vulneráveis a esse tipo de situação.

Do outro lado, os agressores são predominantemente homens (66%), com idades entre 35 e 44 anos (39%), e inseridos em posições de liderança: 43% como gestores ou coordenadores e 42% como diretores ou executivos.

Cultura organizacional no papel, mas falha na prática

Apesar de muitas empresas possuírem políticas formais contra o assédio no trabalho, o estudo mostrou uma diferença significativa entre teoria e prática.

Mais da metade dos entrevistados (53%) afirmou nunca ter participado de treinamentos ou campanhas de conscientização. Apenas 47% disseram confiar plenamente nos canais de denúncia disponibilizados pelas empresas.

Ainda que 54% percebam uma postura formal das organizações contra o assédio, apenas 36% relataram ações de conscientização frequentes. O cenário revela que, em muitas companhias, o tema é tratado como uma obrigação burocrática, e não como prioridade contínua.

O distanciamento entre discurso e prática acaba reduzindo a confiança dos funcionários. Muitos não se sentem seguros para denunciar, o que mantém a cultura do silêncio e dificulta a responsabilização.

Importância do exemplo da liderança

A pesquisa destaca que o combate ao assédio no trabalho não deve ser responsabilidade exclusiva de áreas como compliance ou recursos humanos. O papel da liderança é decisivo para consolidar uma cultura de respeito.

Quando gestores ignoram comportamentos inadequados ou minimizam denúncias, acabam reforçando práticas abusivas. Por outro lado, líderes que adotam postura ética, escutam suas equipes e impõem limites claros ajudam a transformar o ambiente de trabalho.

Segundo especialistas, é fundamental que as avaliações de desempenho incluam indicadores de conduta. Abusos devem ser punidos mesmo quando os resultados financeiros são positivos, e líderes que promovem ambientes respeitosos precisam ser reconhecidos e valorizados.

Ações necessárias para prevenir o assédio no trabalho

Para enfrentar o problema de forma efetiva, o estudo aponta um conjunto de medidas que podem ser adotadas pelas empresas:

Políticas claras e objetivas

As organizações devem criar regras específicas de prevenção, detalhando comportamentos inadequados, formas de denúncia, penalidades e mecanismos de proteção às vítimas.

Treinamentos contínuos

Capacitações regulares devem envolver todos os colaboradores, com ênfase em líderes e gestores, para reforçar valores de respeito, diversidade e igualdade.

Canais de denúncia seguros

É essencial oferecer meios confidenciais e confiáveis para relatar casos, garantindo respostas rápidas, justas e transparentes.

Cultura de respeito consolidada

A liderança deve ser exemplo de conduta ética, estimulando um ambiente inclusivo e de apoio mútuo. O combate ao assédio precisa ser parte integral da cultura organizacional.

O estudo também identificou que empresas do setor industrial e operacional registram maior número de casos de assédio moral e sexual, especialmente envolvendo mulheres, jovens aprendizes e trabalhadores terceirizados.

A chamada cultura de “brincadeiras de chão de fábrica” ainda persiste em muitos ambientes e é um dos fatores que perpetua práticas discriminatórias.

Impacto para empresas e trabalhadores

O assédio no trabalho não afeta apenas as vítimas diretas. Ele compromete a produtividade, aumenta a rotatividade, gera passivos trabalhistas e prejudica a imagem da empresa.

Segundo especialistas, investir em políticas preventivas é uma forma de reduzir riscos jurídicos, fortalecer a reputação corporativa e promover um ambiente mais saudável.

Como fazer uma denúncia formal?

Trabalhadores que enfrentarem situações de assédio no ambiente corporativo podem registrar denúncias de forma confidencial pelos canais oficiais do governo. O Ministério Público do Trabalho (MPT) mantém uma plataforma online disponível no site, além de atendimento presencial em suas unidades regionais.

Outra alternativa é utilizar o sistema Fala.BR, plataforma integrada de ouvidorias do Governo Federal, que permite o envio de relatos eletrônicos diretamente aos órgãos competentes.

Também é possível recorrer à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) de cada estado, que recebe denúncias presenciais ou por meio eletrônico, garantindo apuração administrativa das irregularidades.

Esses canais são independentes das estruturas internas das empresas e asseguram maior proteção ao trabalhador, sobretudo nos casos em que há receio de retaliação ou falta de confiança nos mecanismos corporativos.

A pesquisa da CLA Brasil revela que o assédio no trabalho permanece como um desafio estrutural para empresas brasileiras. A liderança — tanto executiva quanto intermediária — aparece como ponto-chave para mudar a cultura organizacional e consolidar ambientes mais seguros.

Sem medidas efetivas de prevenção, capacitação e responsabilização, as políticas contra o assédio correm o risco de se limitar ao papel. O fortalecimento de uma cultura de respeito depende de ações práticas e contínuas, que envolvam gestores, colaboradores e a própria estrutura organizacional.

Com informações adaptadas da Exame



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