Cirurgião-dentista formado em 2014, com mestrado e quatro pós-graduações, ele construiu a carreira atendendo quem costuma ficar de fora do consultório comum: idosos, pessoas com mobilidade reduzida, autistas e pacientes com necessidades específicas.
A maioria dos consultórios odontológicos é pensada para um tipo de paciente — o que senta na cadeira, entende as instruções e colabora com o procedimento. Uma parte grande da população não se encaixa nesse modelo. E é justamente para essas pessoas que o cirurgião-dentista Leonardo Dornelas Alves direcionou a própria carreira.
Formado em odontologia em 2014, Leonardo foi percebendo, ao longo de mais de dez anos de consultório, que atender idosos, pacientes com mobilidade reduzida, pessoas autistas e pacientes com necessidades específicas exige mais do que competência clínica. Mobilidade, comunicação, ansiedade, adaptação ao ambiente e limitações funcionais mudam o que se espera do profissional — e o atendimento convencional, muitas vezes, simplesmente não dá conta.

A resposta que ele foi construindo parte de uma inversão. Em vez de esperar que o paciente se molde ao consultório, é o consultório que se molda ao paciente. No atendimento a um idoso, isso significa considerar condições e limitações que interferem no planejamento. Em alguém com mobilidade reduzida, repensar acesso e posicionamento. Com pacientes autistas, cuidar de comunicação, previsibilidade e acolhimento antes mesmo de tocar no procedimento.
Nem todos os pacientes conseguem se adaptar ao modelo tradicional de atendimento. Muitas vezes, é o profissional que precisa entender as necessidades daquele paciente e adaptar a maneira de atendê-lo, diz Leonardo.
“Quando conseguimos fazer isso, a odontologia deixa de ser apenas um procedimento clínico e passa a representar também acolhimento, acesso e qualidade de vida.”
Essa prática veio acompanhada de estudo. Além da graduação, Leonardo tem mestrado e quatro pós-graduações, e levou a experiência do consultório para fora dele: atua como palestrante e assina publicações na área, contribuindo para o debate sobre o atendimento de pacientes com necessidades específicas. É a parte da carreira que o tira do lugar de quem apenas executa e o coloca no de quem também produz e dissemina conhecimento.
Há ainda um componente de negócio. Leonardo é empresário e está à frente de uma clínica montada para sustentar esse tipo de atendimento — um ambiente pensado para receber diferentes perfis de paciente e oferecer uma odontologia personalizada, inclusive para quem precisa de mais tempo, mais adaptação e mais atenção. Na prática, a estrutura é a materialização da tese que ele defende no discurso.
Por trás de tudo, há uma leitura que ultrapassa a técnica. Para uma parcela da população — idosos, pessoas com deficiência, pacientes com transtornos do neurodesenvolvimento —, encontrar um profissional preparado é, antes de tudo, uma questão de acesso à saúde. Odontologia inclusiva, nesse sentido, não é um nicho simpático: é resposta a uma barreira real.
Mais de dez anos depois da formatura, Leonardo segue investindo em aperfeiçoamento e ampliando a atuação. O rumo que ele aponta é o mesmo desde o começo — uma odontologia que enxergue o paciente por inteiro e diminua as barreiras que ainda afastam muita gente da cadeira do dentista.

Serviço
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